Resenha: Divergente - Veronica Roth
Autora: Veronica Roth
Editora: Rocco
Ano da edição: 2012
Páginas: 500
ISBN: 978-85-7980-131-0
Tipo: literatura americana, romance, distopia.
Sinopse: Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição – e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisÃvel. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo à s simulações conforme o previsto. A jovem deve então decidir entre ficar com sua famÃlia ou ser quem ela realmente é. E acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive.
Há um único espelho em minha casa. Fica atrás de um painel corrediço no corredor do andar de cima. Nossa facção permite que eu fique diante dele no segundo dia do mês, a cada três meses, no dia em que minha mãe corta meu cabelo.
Sento-me em um banco e minha mãe permanece em pé atrás de mim com a tesoura, aparando. Os fios caem no chão, formando um anel loiro e sem graça.
(...) Um rosto pode mudar muito em três meses. No meu reflexo, vejo um
rosto estreito, olhos grandes e redondos e um longo e delgado nariz. Ainda pareço uma criança, apesar de ter completado dezesseis anos em algum momento dos últimos meses. As outras facções celebram aniversários, mas nós, não. Seria um ato de autocomplacência. (páginas 1-2)
Conheci Divergente durante a febre "Jogos Vorazes". Lembro que vários colegas de leitura diziam que era bem melhor que a história que Suzanne Collins escrevera. Como possuo o livro e o tema de janeiro do Desafio Literário Skoob é "um livro novo em folha", decidi ler.
No mundo distópico de Divergente, a cidade de Chicago foi dividida em 5 facções: Abnegação, Audácia, Amizade, Erudição e Franqueza. Beatrice é pertencente à Abnegação; por isso, deve ser altruÃsta e não pode nem mesmo se olhar no espelho (exceto em raras ocasiões). Aos dezesseis anos, todos os jovens devem passar por um teste para saber a que facção realmente pertencem. Aqui, ela descobre que na verdade é Divergente, ou seja, não há nada conclusivo em seu teste. Beatrice acaba decidindo se juntar à Audácia e se tornar mais forte, mais preparada, e proteger sua verdadeira identidade.
Marcus me oferece a faca. Eu encaro seus olhos, de um tom azul-escuro, uma cor estranha, e a aceito. Ele acena com a cabeça, e me viro na direção dos recipientes. Tanto o fogo da Audácia quanto as pedras da Abnegação estão à minha esquerda, um recipiente em frente ao meu ombro e o outro atrás dele. Seguro a faca com a mão direita e encosto a lâmina na palma da esquerda. Rangendo os dentes, passo a lâmina sobre minha pele. Arde um pouco, mas quase não reparo na dor. Levo minhas duas mãos ao peito e respiro com dificuldade. Abro os olhos e lanço meu braço para a esquerda. O sangue pinga no carpete, entre os dois recipientes. Depois, com um suspiro que não consigo conter, lanço meu braço para a frente, e meu sangue faz as brasas chiarem.Sou egoÃsta. Sou corajosa. (páginas 53-54)
O que achei da história?
Pontos positivos:
1) Crescimento emocional de Beatrice: ela começa como uma garota inexpressiva e se torna uma personagem independente e determinada;
2) Ausência de triângulos amorosos: sim, eu não gosto deste tipo de situação, sinto que muitos autores a utilizam para deixar a história mais tensa do que o necessário;
3) Escrita fluida: apesar de não ser muito fã de narração em primeira pessoa do singular, não achei que tornou a leitura maçante;
4) Aborda temas "mais adultos": por ser YA, fiquei com receio de que a história de amor retratada fosse idealizada. Não é.
Pontos negativos:
1) Tentativas de chocar o leitor são artificiais: senti que muitas cenas aconteciam de forma brusca, como se a autora houvesse pensado nelas depois de terminar o livro e decidido incluÃ-las sem nenhuma adaptação do resto;
2) Semelhança com outras obras: como o gênero delas é o mesmo (distópico), deve haver algumas caracterÃsticas comuns, mas Divergente chega a ser apenas mais do mesmo;
3) Enfoque exagerado no romance: considerando a situação em que Beatrice se encontra, uma das menores preocupações que deveria ter é com os sentimentos de Quatro por ela. É adolescente, eu sei, o rapaz a conhece bem, etc, etc, mas poderia ser melhor aproveitado e disperso no enredo.
4) Contradições: ATENÇÃO! Os quotes a seguir podem conter spoilers:
Quatro* belisca a base de seu nariz e olha para mim pelos espaços entre seus dedos. Ele está tentando me dizer algo. Eu penso rapidamente. Qual conselho Quatro me deu recentemente? A única coisa que consigo pensar é: finja um pouco de vulnerabilidade.
Isso já funcionou antes.
– Eu... Eu estava apenas com vergonha e não sabia o que fazer. – Enfio as mãos nos bolsos e encaro o chão. Belisco minha perna com tanta força que lágrimas surgem em meus olhos, e então levanto a cabeça e olho para Eric, fungando. – Eu tentei... e... – Eu balanço a cabeça.
– Você tentou o quê? – pergunta Eric.
– Me beijar – diz Quatro*. – E eu a rejeitei, e ela fugiu como uma menininha de cinco anos. Realmente não podemos culpá-la de nada, a não ser de ter agido de maneira estúpida.
Nós dois esperamos. Eric olha para mim, depois para Quatro*, e começa a rir muito alto e por muito tempo, de uma maneira ameaçadora, que me arranha como uma lixa. (páginas 376-377)
Will e Christina se beijam de uma maneira um pouco lambona demais para o meu gosto. Por toda a minha volta, os punhos da Audácia batem nas mesas. De repente, sinto alguém cutucando meu ombro e, ao virar o rosto, vejo Quatro* atrás de mim. Levanto-me, radiante.
– Você acha que seria muito descarado eu te dar um abraço? – diz ele.
– Sabe – digo –, realmente não me importo. Fico na ponta dos pés e pressiono meus lábios contra os dele.
É o melhor momento da minha vida. (página 427)
Nessa última cena, estão no meio do refeitório. É bem contraditório, considerando como as vidas deles estão em jogo.
(*: Nome verdadeiro de Quatro.)
Como livro, Divergente não me agradou. Não é uma obra de que me lembrarei com carinho ou emoção, mas também não a odiei. Entra para a lista de "mais um livro que li", sem ser especial. Talvez gostasse mais como script de filme, o potencial é maior.
O que achei das personagens?
Fiquei frustrada do inÃcio ao fim. Veronica Roth fica brincando com elas: em certos momentos as odiamos, em seguida as amamos, mas isto não ocorre de maneira natural. É uma transição infantil.
Outro ponto: o nome verdadeiro de Quatro é um dos mistérios do livro, tinha tudo para ser uma grande surpresa... Mas não foi. Em inglês, o nome pode até ser forte, mas em português não traz nada de especial. Minha admiração pela personagem caiu muito depois que o descobri.
A edição
A Editora Rocco fez um excelente trabalho: boa diagramação, boa formatação, capa idêntica à original, formato anatômico e páginas amareladas. Possui alta qualidade e é muito confortável à leitura.
Notas
● Enredo: 2/5● Exemplar: 5/5;
Sobre a Autora
Veronica Roth é uma autora muito jovem e por isso a sua biografia ainda é relativamente curta. Nasceu no dia 19 de Agosto de 1988 em Chicago, que é a cidade onde se desenrola a história de DIVERGENTE.
Veronica afirma que escreve desde a altura em se considerava velha demais para brincar ao ‘faz de conta’. Devido à sua paixão pela escrita, e também incentivada pela sua famÃlia, ingressou na Northwestern University para estudar Escrita Criativa, e foi aà que a trilogia DIVERGENTE se iniciou.
Esta resenha faz parte do Desafio Literário Skoob 2015.


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